anotações para uma curta memória de longa duração


Feriado pt II – A bicicleta

Esse é o post mais aguardado sobre a minha viagem até agora, tenho certeza…

Bom, vou começar contando uma piada. Tem uma piada antiga na família que diz que alguém vai na padaria e pede um sonho. Daí o sonho acabou e a pessoa responde “tudo bem, me vê uma bicicleta verde”. É uma piada no estilo pinguim doce de leite (se alguém não conhece essa, me peça pra contar, é muito boa). Guardem essa informação. Tem também aquele outro ditado que diz “não sei se caso ou se compro uma bicicleta”. E minha cabeça problemática tinha misturado as duas coisas e eu já falava que não sabia se casava ou se comprava uma bicicleta verde; no fim decidi pela segunda opção e aqui está o resultado:

Caso alguém encontre na rua, favor não roubar…
Sintam a combinação do verde com o roxo e o lilás da “lancheirinha” ali atrás.

 Como todo mundo já sabe, a Holanda é o país das bicicletas e, pra morar dignamente aqui, tive que entrar na onda. Enrolei no começo porque sou meio traumatizada com bicicletas; é uma questão familiar muito antiga e prefiro não entrar em detalhes. Só adianto que sim, eu já andei de bicicleta antes na vida (sem rodinhas) e não, eu não lembrava como era pois isso faz uns 20 anos, mais ou menos.

Daí depois de uns dias que eu tava aqui eu vi o vídeo do cara que não tem as duas pernas nem os dois braços (acreditem, se alguém não viu, eu passo o vídeo). Porra, o cara NÃO tem NEM as pernas, NEM os braços, e faz mais coisas do que eu. Não que isso seja uma AFRONTA, claro que não, o cara é um exemplo – e também uma exceção – mas pelo menos me motivou a pegar a maldita bicicleta e tentar andar, mesmo que sozinha. Era o mínimo que eu podia fazer depois de ver o cara sem pernas/braços NADANDO numa piscina (esse é o meu próximo objetivo de vida – nadar decentemente, mas é assunto pra depois que eu voltar pro Brasil).

Bom, aproveitei um feriado em que estava sozinha aqui (e a cidade vazia, óbvio), peguei a bici, EMPURREI a bici até um lugar vazio (ou vocês acreditaram realmente que eu ia sair andando assim de primeira?) e dividi o desafio em etapas de complexidade crescente (cabeça problemática, lembram? então). Vale lembrar que a bici é totalmente fora do tamanho recomendado para mim e eu mal alcanço a ponta do pé no chão quando estou sentada nela (uma dificuldade a mais né?).

Primeiro eu precisava andar em linha reta… O mínimo, o básico, o essencial, o RIDÍCULO:

Ir até o final e voltar. Razoável, não?

E não é que eu consegui? Claro que no começo eu não conseguia ficar só na faixa da direita (aqui tem que respeitar “as mãos” da ciclovia), ficava ziguezagueando pela rua inteira, mas até que deu pro gasto! Pedalava rindo sozinha até. E daí a rua foi chegando no final e ai meu deus o que que eu faço agora e como faz curva nisso aqui socorro e decidi parar. VIREI a bici com a mão e continuei só andando em linha reta, hahah, que ridículo. Mas deu certo. Até o tio policial chegar perto de mim e perguntar se eu tava precisando de ajuda. Não senhor, só se for ajuda psicológica mesmo! Decidi que estava na hora de tentar fazer as curvas, pra não passar mais vergonha na rua.

Olha só, muito mais difícil hein? Triplicou o comprimento da rua…

Troquei de rua porque essa segunda tinha uma área melhor pra fazer a curva no final, heheh. No começo foi muita tensão, mas deu certo e estava fazendo as curvas decentemente. E esse negócio de ficar indo pra frente e pra trás (uy!) na mesma rua foi me enchendo o saco. Eu precisava de mais emoção! Foi muito mais fácil do que eu achei que seria e essa rua não é um bom exemplo das ruas do resto da cidade, que tem trânsito de pessoas e de carros. Então tomei coragem e decidi passear MESMO de bici.

Uau! Uma rua de verdade!

Tudo bem que era feriado e realmente não havia nenhuma outra bici nem carros (e só um pedestre), mas esse lugar era particularmente PERIGOSO pro meu nível bicicletal porque se eu ziguezagueasse muito, ia cair dentro do canal que fica à direita (que não aparece na foto). Mas ó, nem caí no canal, ok? Pra dizer a verdade, AINDA não caí em lugar nenhum! :)

Bom, andar de bicicleta é realmente uma coisa muito ridícula para quem passou a infância se aventurando por aí e subindo em árvores e sendo uma criança radical, como eu não fui. Além disso, eu realmente tinha trauma de bicicleta e foi um passo muito grande que eu dei, tendo coragem de pegar uma bicicleta maior do que eu e tentar andar na rua, sozinha. Sei que tem mais gente que eu conheço que não sabe andar ou não pratica há muito tempo, então fica aqui o meu relato de “coragem”! Espero que vocês se animem e andem também! É gostoso andar de bici, com exceção de quando o vento está muito forte e quase te derruba (já aconteceu comigo aqui e depois eu vi que tem uma PLACA na rua chamando atenção pro VENTO… coisas que só a Holanda faz por você).

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15 dias em 5 minutos

Bom, que eu sumi ninguém tem dúvidas. Sumi de tudo: blog, msn, orkut (faz tempo né! tipo anos), feice. Todas as malditas redes sociais do inferno, heheh. Às vezes me dá uma vontade de deletar tudo. Eu sei que dá. Ana Laura não tem nada disso, vive, respira e é feliz; quem sabe vira inspiração um dia desses…

Enfim, recapitulando 15 dias em 5 minutos… o que teve?

– Teve trocentos seminários, e a disciplina de 15 créditos ainda não acabou. Falta um, e apenas UM, seminário; na próxima terça serei uma pessoa livre! Não quero abrir o powerpoint até o ano que vem, por conta dessa overdose.

– Teve aula de poker, aula particular praticamente. O cara perguntou “vc já sabe jogar?” e eu respondi “sim, mas quero aprender as manhas!”. Pronto, extrapolamos o horário da aula e eu aprendi a crupiezar (opa, verbo novo), fazer gracejos com as fichinhas, e uns outros tipos de jogos. Great fun.

– Teve show do Bon Jovi uhuuuuuuuuuuu lindoooooooooooooo. Teve gritaria histérica, teve rouquidão subsequente, teve chororô, teve sentar longe e enxergá-lo bem pequenininho, mas também teve um telão maravilhoso que dava a impressão que ele tava logo ali na frente. Sorrindo aquele sorriso maravilhoso. Pra mim. O melhor show da vida, por enquanto. Mas já adianto que vai ser difícil bater, até por que…

– Teve show do Jamiroquai e ele não bateu. O show tava ótimo, companhia idem, mas pista é foda. Galera sabe que sou alta, então não enxergo nada, mesmo perto da grade. Mal enxergava o telão. E também faltaram algumas músicas… sei lá. Mas foi lindo, amei também.

– Teve festinha no lab, teve vinho na Paulitchas, teve cinema, teve japonês, teve shopping. Teve filme em casa. Teve alguém que cozinhasse pra mim em casa! Teve feriado que, mesmo em SP, foi muito bem aproveitado. Enfim, tiveram coisas boas acontecendo nesses últimos dias.

– Também entreguei o pedido da minha bolsa, aquela pra Bélgica Holanda. O resultado só sai ano que vem, então assunto encerrado, por enquanto.

– Teve o total abandono do desafio das frutas. Teve a quebra da minha arara em que eu pendurava as minhas roupas. Teve um mês sem passar roupa. E outras coisas domésticas FAIL.

– Teve descobrir um salão aqui perto de casa e sofrer com, entre outras coisas, um esmalte rosa pink muito mal escolhido.

– Teve dormir de menos. Somando as duas últimas noites, dormi 10 horas. Nada bom. O ideal seria o dobro disso!

Enfim. É o que teve pros últimos dias! Estou perdoada pelo sumiço?!



O desafio das 7, ops, 5 frutas

E então que estou de bom humor hoje. Consegui escrever umas coisas, passar em 2 (DOIS) mercados, acho que resolvi o problema da minha inscrição naquele congresso infeliz e coisa e tal. E enquanto estava no meu querido ObaOba, comecei a olhar todas aquelas frutinhas lindinhas com aqueles cheirinhos gostosinhos e docinhos e esse calor insuportável que está fazendo atualmente ai que horror o povo todo suando mas pelo menos dá vontade de comer fruta gelada, e comecei a lembrar do meu feriado empanturrado de comidas não-saudáveis e tomei uma decisão: levar 7 frutas estranhas pra casa e provar uma por dia.

Quem me conhece sabe que eu não sou muito chegada em frutas/legumes/verduras, mas quem me conhece também sabe que já melhorei muito nesse quesito ao longo dos últimos anos. E daí que estamos aí né, morando num lugar estranho, ui que loucura, então vamos pôr em prática a idéia de fazer loucura e comer umas frutas estranhas. Nossa, que radical. Pois é.

A idéia meio que não deu certo já na saída do mercado, porque acabei dando preferência para a família das ameixas e sabe como é, dizem que ameixa solta a coisa toda, então troquei 2 frutas estranhas por 2 maçãs bonitas, pra fazer aquele contra-balanço. Então a idéia é ir alternando as frutas estranhas com as maçãs, mas são 5 frutas pra 2 maçãs, então minha matemática meio que pifou na hora de planejar as frutas alternativas. Mas enfim… vamos às frutas:

toda trabalhada na natureza morta.

Na fileira de cima, obviamente as 2 maçãs. Na fileira do meio, da esquerda pra direita, estão uma granadilla colombiana, uma ameixa americana e uma ameixa letícia. Na fileira de baixo, uma nectarina “importada” (aham) e uma ameixa san golden.

Ok, B, ameixas não são necessariamente frutas estranhas, talvez essa granadila aí, mas me lembra grenadine e também parece familiar, mas resumindo, nada disso é estranho pra mim. Muito menos a nectarina.

Ok, pessoa, mas nectarinas e ameixas não são frutas que eu costumo acordar com desejo de comer, e o desafio é meu e eu posso me sentir desafiada pelo que eu bem entender, hahah.

PS: Não estou de dieta.



Então…

…passei! Agora podem falar que vocês tem uma amiga que faz doutorado, sem ter mestrado. É o cúmulo da nerdice. É a nerdice suprema. Quase um Guiness Record dos nerds.

Depois de mais de 3 horas falando falando ouvindo falando ouvindo falando ouvindo e falando, veio a aprovação. Nem lembro o que falei de agradecimentos, acho que também nem falei muita coisa; cansei tanto antes que não tinha mais ânimo pra pensar em nada. Só queria ir pra casa dormir. Dormiria tranquilamente das 13 horas de quarta até quinta de manhã. É sério.

Como parte dos eventos comemorativos, teve boliche, teve boteco de esquina e – o mais engraçado – teve minha mãe jogando boliche E sentada no boteco de esquina, hahah. Pena que não há registros fotográficos.



ufa!

terminei o pauer póintchi. falei para o pequeno pônei que foi o maior alívio do mundo, depois admiti, foi o maior alívio do final de semana.

mas vcs pensam que acabou? NÃO! pq amanhã eu mostro pro meu orientador e vai que ele pede pra mudar tudo? hahahah. daí é maria da graça mode ON né.

falando em maria da graça, fiquem com uma foto da planta que eu super ressuscitei aqui em casa:

 opa, tô gátan!

meu vaso de salsinha não anda bem das pernas dos raminhos, tadinho. quando ele melhorar eu mostro aqui.



Macrofelicidades

Ganhei duas bolsas em menos de 24 horas. Depois que eu dormir e voltar a raciocinar eu termino esse post… Vou deixar por aqui só pra não esquecer de contar. :)

***

Bom, há uns 2 meses mais ou menos eu comprei uma bolsa (bolsa, de verdade, de colocar no ombro, de carregar coisas) pela internet. Minha técnica de carregar o computador numa bolsa e levar outra bolsa normal junto tava me enchendo o saco, então resolvi comprar uma gigantesca que coubesse tudo ao mesmo tempo. A entrega estava prevista pra 1 mês mas, depois de 2 meses, recebi. Isso foi na terça de noite. Fiquei extremamente feliz de finalmente ter recebido a dita cuja e, além disso, ela é enorme, cabe a vida dentro! Pena que é branca e agora minha mãe fala “ih, mas vai sujar tanto”. É, vai sujar um monte. Mas a outra cor disponível era marrom e eu não tava muito afim.

No dia seguinte fui com a tal da bolsa nova pro laboratório e, no fim da tarde, recebo um email tãaao legal. Meu pedido de bolsa pro doutorado direto tinha sido aprovado!

“Mas Bianca, você é aluna do mestrado. Isso quer dizer que você vai estudar fora no ano que vem?”

Não, querido amigo. Isso só quer dizer que, depois que eu virar aluna do doutorado direto, eu vou continuar recebendo, um pouquinho mais até. O exame de transferência vai ser no começo de setembro.

“Mas Bianca, se você já tem a bolsa, tem que esperar até setembro pra mudar por quê?”

Porque a instituição onde eu estou tem regras idiotas e, apesar de a agência de fomento já me considerar apta a receber uma bolsa de doutorado direto, preciso ficar esperando NADA acontecer até setembro, que é o prazo daqui pra fazer a transferência.

“Mas Bianca, por que NADA?”

Porque essa regra não faz sentido algum e nada vai acontecer até setembro.

Bom, fiquei extremamente feliz de receber as duas bolsas, aguardadas muito ansiosamente pela minha pessoa nesses últimos dois meses.

“Mas Bianca, e a Bélgica?”

A Bélgica está lá no lugar dela, enfiada no meio da Europa. Por enquanto continua um sonho distante. Só posso entrar com o pedido lá por setembro/outubro, e só recebo a resposta ano que vem. E ano que vem tá looonge ainda.



Microfelicidades
21/06/2010, 00:58
Filed under: Feitos legais só na hora que acontecem

Hoje eu pedi e comi uma pizza, atividade que eu não fazia há meses. Não passei mal. Ainda há esperança para a minha pessoa. (Óbvio que na pizza não havia queijo. Não se pode ter tudo nessa vida.)

Ontem eu bati meu recorde num joguinho cretino tipo Bejeweled mas com sushis ao invés de pedras preciosas. Tava há dias tentando bater esse recorde. Fiquei tão feliz! Acho que nunca mais vou conseguir essa proeza.

Pelo menos meu celular e uma pizza me deixam feliz! :P